FALANDO DE POLÍTICA
COM WASHINGTON JOSÉ
CEOs DO BTG PACTUAL OUVEM
FLÁVIO BOLSONARO
Flávio Bolsonaro falha em primeiros contatos com investidores
Por Martha Beck
(Bloomberg) -- O senador Flávio Bolsonaro não conseguiu causar uma boa primeira impressão nos investidores que busca conquistar, mesmo tendo ascendido como principal candidato de direita nas eleições presidenciais deste ano.
Uma apresentação crucial feita na conferência de CEOs do BTG Pactual nesta semana careceu de detalhes e de um plano concreto, segundo quatro participantes do evento que pediram anonimato para falar sobre o assunto.
A proposta do candidato — apresentada por vídeo em vez de presencialmente — decepcionou com promessas vagas de cortes de impostos e ajustes na política fiscal, sem representar uma ruptura decisiva com as políticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmaram.
O ceticismo do mercado financeiro não para por aí. Flávio Bolsonaro nomeou repetidamente o ex-ministro da Economia, Paulo Guedes, como conselheiro informal e, em conversas privadas, cogitou a possibilidade de trazer o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o ex-secretário do Tesouro e economista-chefe do BTG, Mansueto Almeida, para sua equipe.
No entanto, a realidade é que Guedes prefere permanecer à margem a retornar aos holofotes políticos, segundo pessoas próximas ao ex-ministro.
O mesmo vale para Campos Neto, que também se mostra confortável em sua nova função no setor privado, no Nubank. Quanto a Mansueto, ele e Flávio não se falam há cerca de cinco anos, disseram pessoas familiarizadas com o relacionamento entre os dois.
Em conjunto, a situação está deixando os investidores apreensivos, pois anseiam por uma alternativa favorável ao mercado em relação a Lula nas eleições de outubro. O pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso, tinha o peso-pesado da economia Guedes ao seu lado quando venceu as eleições em 2018. Em contraste, o deputado de 44 anos ainda não tem uma equipe nem propostas impactantes.
Flávio discorda.
Em resposta a um pedido de comentário, afirmou estar “organizando não um plano de governo, mas um plano de Brasil, com foco em modernização do Estado, digitalização e simplificação de processos e de burocracia, forte compromisso com o fiscal e redução da carga tributária — um conjunto de ações que está reunido sob o símbolo do Tesouraço”.
Guedes, Campos Neto e Mansueto não responderam a pedido de comentário.
Muitos na comunidade financeira preferiam o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, como o porta-estandarte da direita.
Mesmo assim, tiveram que aceitar Flávio Bolsonaro quando, em dezembro, ele obteve a bênção de seu influente pai para concorrer, na esperança de que ele assumisse o papel de desafiante pró-mercado.
Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira mostrou Lula ainda à frente de Flávio por 43% a 38% em um cenário de segundo turno.
Mas a vantagem do atual presidente diminuiu em relação aos 10 pontos percentuais de dois meses atrás, um sinal de que o senador está ganhando terreno.
Contraste gritante
Em vez de aproveitar a oportunidade para apresentar um plano econômico robusto no evento do BTG, Flávio Bolsonaro atacou Lula de forma mesquinha. Chamou o líder de esquerda de “produto vencido” e, comparando-o a um carro, disse que ele “não te leva a lugar nenhum e ainda bebe muito”.
No fim das contas, esse tom deixou alguns investidores com uma impressão ainda mais negativa.
Os apoiadores de Flávio Bolsonaro afirmam que ele ainda não teve tempo de elaborar um plano completo.
Nas semanas seguintes ao anúncio de sua candidatura, o parlamentar viajou para o exterior para cortejar líderes da extrema direita e aumentar sua visibilidade.
Mesmo no evento do BTG, ele disse que ainda era cedo demais para dizer quem seria seu futuro ministro da Fazenda.
Ainda assim, o forte contraste com a vitória presidencial de seu pai em 2018 é difícil de ignorar.
Jair Bolsonaro trouxe Guedes muito antes da eleição, quando a corrida estava apenas começando, dando aos investidores uma base sólida para suas expectativas.
Guedes acertou em cheio ao apoiar cortes nos gastos públicos e privatizações em larga escala.
De forma mais abrangente, ele foi apresentado como a pessoa ideal para a economia, ajudando a tranquilizar os mercados de que Jair Bolsonaro — que era um candidato de fora do sistema — seria guiado por princípios ortodoxos na presidência.
Para Flávio Bolsonaro, o cenário agora parece bem menos certo — e os mercados começam a precificar o risco de que o candidato visto como o principal adversário de Lula não tenha o plano, nem a equipe, para cumprir suas promessas.
Um participante do evento da BTG foi direto ao ponto: Flávio Bolsonaro se parece fisicamente com o pai, mas está longe de ser tão carismático e politicamente astuto.
Além disso, ele não conseguiu articular uma narrativa econômica forte o suficiente para sustentar as expectativas do mercado, disse a pessoa sob condição de anonimato.
©2026 Bloomberg L.P.
Fonte: msn
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